A minha mãe sempre me disse que eu tinha sorte por ter brinquedos novos só para mim, porque ela nunca os teve, mas tal nunca mais haveria de acontecer, nem a mim nem às gerações que se procedessem.
Disseram-me várias vezes para estudar que teria acesso a um mundo sem restrições de quereres a nível material.
Cheguei a ouvir falar em carta e carro pago pelos progenitores, achando terrível ouvi-los dizer "Tu vais ter sorte, porque a minha carta tal como o 1º carro fui eu que o paguei".
Falaram-me da fome como um mito dos tempos passados ou de terras distantes.
Olhava à minha volta e todos tínhamos casa, roupa lavada e andávamos bem alimentados... nem outro cenário seria possível!
A miséria ou se escondia ou eu pouco ou nunca a via.
Sempre me achei vivamente felizarda por viver num país onde ora estava tempo para usar botas e casacos quentes, ora estava tempo de calçar uns chinelos e um bikini.
Todos podíamos seguir uma área que gostássemos porque haveria mercado de trabalho, tudo era possível bastava lutar por isso.
Nunca duvidei que tudo isto era verdade e que eu teria sem dúvida, mais cedo ou mais tarde, no país que me viu nascer um futuro vindouro, pelo menos foi o que sempre me prometeram.
Hoje sinto-me enganada, porque todos prometeram e hoje vejo o aposto de tudo que foi prometido, hoje sei que nada é certo e sinto-me um pouco desiludida com este país que tanto nos prometeu e tão pouco cumpriu e ofereceu.
Coelha*
-Fechar-me;
-Pôr os phones nos ouvidos;
-Fazer play na música clássica;
-Aumentar o volume;
-Sentir em cada poro do meu corpo as notas da música;
-Ir fechando os olhos;
-Ver só o que me apetece;
-Gesticular com as mãos e o corpo no compasso da música;
-Chorar e sorrir;
-Encontrar-me na imensidão de adjectivos que me descrevem;
-Sentir-me solta;
-Baloiçar também a cabeça;
-Sentir os cabelos na cara e sentir orgulho no meu feminismo;
-Conhecer as minhas emoções;
Às vezes sinto necessidade de me encontrar em mim mesma... reflectir e definir o que é bom ou mau para mim...
Às vezes não é simples, mas foi bom tentar.
Coelha*
Coelha*
Quando o amor nos deixa num estado de graça, cantamos.
Quando estamos melancólicos recorremos à poesia.
Quando a felicidade se torna adjectivo, cantamos.
O nosso fado é a poesia, a poesia é o nosso fado e quem não recorre a ela, em busca de uma palavra que poderia ter sido dita por nós?
Coelha*
Agora?, já não é bem assim... O que me faz pensar se é aqui que quero ficar futuramente? Já acredito que não...
Adoro a minha cidade e sinto-a como minha, mas agora sinto-me desconfortável por aqui. Eu sei que a criminalidade é uma realidade que se alastra por todo o lado, mas não me conformo, não me conformo que nesta terra ao mar plantada simples e pacata, se faça sentir este clima de insegurança...
Estou triste, e sinceramente?, fico verdadeiramente melancólica com isto...
Coelha*
Tenho vontade de escrever livremente o que sinto, falar das minhas vontades, dos meus pensamentos sem restrições.
Aqui nunca foi permitida esse tipo de liberdade, porque fui descoberta neste mundo muito cedo.
Talvez eu me perca pela blogosfera com outro nome, com outro blogue, talvez...
Coelha, a que vai ficar sem feições*
Quero aproveitar muito, quero desfrutar, quero dar valor a cada momento maravilhoso que a vida me tem dado, para depois no futuro, se hipoteticamente isto passar a ser mesmo só meras lembranças e só lembranças, eu não volte a cuspir para o ar que não aproveitei o que devia e que não valorizei como deveria ter valorizado.
Coelha*

Eu e os outros. É assunto, que dá pano para mangas.
Passei a minha vida, a mudar a minha forma de ver os outros e a forma de ver as coisas. Passei a minha vida a chorar pelo que não tinha e a tratar mal o que tinha, inconscientemente. Passei a minha vida, a arrepender-me das injustiças que cometi com os outros e nunca com as injustiças que cometeram comigo.
Na realidade, sempre tive uma visão muito auto-crítica, que me fazia ver com muita clareza os meus erros, mas com dificuldade, eu interiorizava os erros dos outros.
Sei que sou de trato difícil, e admito que já cometi muitas falhas que me fizeram chorar lágrimas de sangue, mas acho que já chorei o suficiente.
Tenho algo em mim, que me penaliza por cada erro que cometo. Ou seja, eu acho que devo sofrer e pagar pelas coisas erradas que faço, e sofro e pago com o meu total consentimento.
Fico na merda, e deixo-me estar assim… sem esperança que as coisas mudem.
Como se a minha auto-penalização me fizesse acreditar, que assim, talvez um dia eu voltasse a merecer a sorte, que recusei com as minhas falhas.
A minha avó diz, que esta minha forma de ver as coisas, só demonstra, que não sou má de todo. Mas nunca entendi muito bem, o que significava esta minha obrigatória maneira de agir.
Afastei-me das minhas penitências há pouco tempo. Decidi ser feliz e aproveitar a oportunidade que a vida me deu novamente. Continuo-me a questionar se a mereço, ou se não passa de uma rasteira da sorte, para me fazer querer que estou bem, e em seguida me penalizar mais um pouco.
Mas independentemente do que isto significar, eu não faço intenções de recuar para sofrimentos passados, pois esses, já são casos mais que perdidos.
Hoje em conversa com o “meu” patrão, ele disse uma coisa acertada “A vida é um filme que é gravado à primeira. Não há hipóteses de ensaio e de repetição. Cada decisão condiciona o desenrolar do mesmo. Não adianta de nada, ficarmos a pensar no porquê das acções, se não as podemos mudar. “.
Não podemos mudar o passado, mas podemos sempre não repetir acções do passado no futuro, e eu não quero tornar a minha vida num ciclo vicioso.
E por hoje é isto…
Histeria do meu parecer
Coelha*

Borboletas.
Que vão batendo as asas, ao de leve, e me deixam ansiosa com o passo seguinte.
Borboletas.
Que produzem algum alucinogénio no meu corpo e me deixam irrequieta com o futuro.
Borboletas.
Que me provocam aquele nervoso miudinho, só por saber, que existe uma próxima.
Borboletas.
As únicas, que me oferecem o dom de sonhar, e de poder achar, que tudo poderá ser possível.
Borboletas.
São o símbolo dos sentimentos incógnitos e indecifráveis.
Borboletas.
Que já as julgava extintas dentro do meu corpo, de mulher sem esperança.
Borboletas.
Que renascem em mim, timidamente, como sinal que tudo pode acontecer e que nada é impossível.
Coelha*

Estudei sempre com miúdos/as católicos (pensava eu), porque todos andaram comigo na catequese e fizeram a primeira comunhão comigo, não houve ninguém que não fosse “Sicraninho, não pode vir porque é da religião X, Y ou Z”, não conheci nenhum caso.
Mas hoje, vejo que as coisas não são bem assim. E eu?, respeito as crenças de toda a gente. Às vezes tenho a ideia que as pessoas que são de outra religião, que não seja católica, têm algum pudor em falar do assunto, e normalmente só se descobre este pormenor (insignificante a meu ver), depois de alguma discussão ateada sobre algum assunto ligado a esta temática.
Interesso-me por saber mais, tenho uma mente aberta, e aceito bem os outros e as suas escolhas.
Se sou menina de ir à igreja e bater no peito “Meu Deus, Meu Deus”? Não sou, confesso. Digamos que sou uma católica não praticante, no que diz respeito aos cultos (este não praticante é ferozmente criticado por outras religiões). Mas avaliemos bem o assunto.
Não aponta o dedo a ninguém! E isto para mim, é crucial numa religião, ou melhor, numa civilização!… Como toda a gente já ouviu falar, daquela situação do “Quem não tiver pecados, que atire a primeira pedra.”. Ora eu acredito que se assim pensássemos, todos!, viveríamos num mundo bem melhor.
Vejo a bíblia, e todas as palavras e ensinamentos que esta contém, como valores e reflexões. Não podemos seguir à letra tudo que lá diz. A meu ver, aquilo são parábolas, que têm como finalidade, fazer com que, quem as lê, tire algum ensinamento positivo para si próprio.
Não acredito em instituições. Na igreja, nos padres, nos Papas, nos anciões, nos sacerdotes… Acredito nas pessoas, no ser superior, na consciência de cada um, e no poder que nos foi dado de podermos ser nós próprios a direccionar as nossas vidas.
Desculpem este discurso maçador. Mas há certas e determinadas coisas que me transcendem. Custa-me a querer que pessoas inteligentes optem pelo fanatismo, pelos seus mundos fechados, olhando de esguelha para tudo que transcende os muros das suas crenças.
Eu tenho liberdade, para entrar onde me apetece, de ouvir várias coisas, de aprender com a vida.
Eu até tive a liberdade de adoptar uma religião ou não adoptar. E adoptar a que quisesse. Nem eu nem os meus irmãos fomos baptizados. Eu optei por ser, já crescida, com 8 ou 9 anos, porque eu quis. Já os meus irmãos não o são, porque são ateus e não faria sentido. Tivemos liberdade de escolha. Tive uns pais que acharam que não seria correcto impor-me uma crença.
Se fui condicionada a? Naturalmente, até pelo facto da minha infância estar ligada à convivência com a minha avó, que tanto me falava destas coisas. Mas se alguma vez ouvi, algum incentivo a seguir alguma coisa?, não ouvi. Fui eu que quis. Achei que devia ir para a catequese como todos os miúdos, e depois achei que me deveria baptizar.
Opinei. Também tenho direito… ou não?
Histeria religiosa
Coelha*

E na verdade? Sou o ser mais doce no mundo, se do outro lado me tratarem como tal. Não há muitas pessoas assim, que são calmas e que nos transmitem paz.
Mas conheço algumas. Que até posso estar com vontade de pegar fogo a tudo que está à minha volta, mas com uma simples palavra e um sorriso, todo o cenário vermelho desaparece, tudo fica claro e calmo.
Adoro pessoas empreendedoras, e que fazem planos para o futuro. Não gosto das pessoas que vivem de mais, no dia de hoje e o amanhã logo se vê.
E já que falei no meu signo, procurei na internet a ver o que dizia mesmo sobre Carneiros, e é sem dúvida, o meu auto-retrato.
Carneiro:
Com os nativos de Carneiro e os que o têm com ascendente, a primeira impressão é a de uma pessoa egocêntrica e de um signo independente, assertivo e impulsivo.
Os Carneiros não perdem tempo e quando tomam uma decisão, agem sobre ela de forma habitualmente rápida.
Apesar de governados por Marte e bastante temperamentais, a fúria é passageira e são em regra acolhedores e inspiradores. Apresentam qualidades como a coragem e lealdade mas também a impaciência e têm um forte sentido de individualidade.
Atraem e realçam estas qualidades também nos outros e o dia de um nativo de Carneiro começa normalmente com um entusiástico estrondo. Aparentam uma certa ingenuidade, por confiarem e acreditarem que os outros são tão directos e honestos como eles.
Histeria minha
Coelha*

Acordei transpirada, sobressaltada por todo aquele turbilhão de inquietações, inconstâncias e incertezas… Parecia que estava sem chão. Tive necessidade de abrir as pálpebras o mais rápido possível, para enxergar tudo que não fosse, o que eu vi naquele sonho. O coração saltitava como se não houvesse atrito que o acalmasse. Fechei com força os olhos. Vi uma luz como sinal que estava viva, e fiquei na incerteza se tudo aquilo seria mesmo real. De repente, o barulho da minha respiração parou, com a voz rouca e lenta daquele que me abraçava “Shuuu, foi só um sonho. Eu sempre estive aqui, e sempre estarei. Dorme meu amor.”. Trancou-me as pernas com as suas, pesadas e fortes. Fiquei imóvel, mas contente por ali estares. Arrastaste-me lentamente os cabelos da nuca, enquanto comecei a sentir a tua respiração quente cada vez mais perto. Beijaste-me os cabelos e um dos lóbulos. Um arrepio doce e calmante percorreu-me o corpo, como se o adormecesse lentamente. Cheguei o meu corpo, ainda mais para o teu. E assim, adormecemos os dois.
Depois acordei…
Coelha*

E quando toca a falarmos de mim?, a história vai sempre parar ao mesmo. Então, elas tentam descodificar certas atitudes que eu tenho relativamente a certas pessoas e vice-versa.
Falam-me da vida de uma forma apaixonante, e das minhas próprias histórias como se fossem matéria para um verdadeiro romance.
Prevêem finais felizes, histórias de príncipes, lutas pela vida, romantismo e muito amor, suores apaixonantes e sentimentos camuflados pelo tempo, que no futuro se demonstram mais fortes e vigorosos.
Às vezes pouso a cabeça sobre as mãos e riu imenso com aquilo, e acho piada, visualizarem assim, o que conhecem das minhas próprias histórias.
Mas a verdade, e como já lhes disse, por norma tentamos entender a vida da forma que mais nos convém. Da forma mais bela e mais perfeita de acordo com o que acreditamos. Tentamos ver o positivismo das coisas que acontecem, procurando um sinal nas acções dos outros de acordo com as nossas vontades. Mas depois se pensarmos friamente nas coisas, vemos que há situações que acontecem porque sim. Não há nada para descodificar ou tentar entender. Acontecem e pronto. Não podemos passar a vida a tentar entender cada passo dos outros relativamente a nós e cada acontecimento da vida. Os chamados “sinais”.
As coisas acontecem, e se não há nada para além do visível das atitudes dos outros ou dos acontecimentos, não podemos passar o tempo a tentar entender o que não existe.
Às vezes pensamos demais, quando deveríamos ser mais práticos.
Quem gosta de nós? Diz-nos, e não tenta esconder por isto ou por aquilo.
Não estamos com alguém? É porque não sentimos vontade.
E por aí adiante.
Histeria do pensar demais
Coelha*

O sol não amanheceu um único dia, naquele quarto concentrado de fantasmas e karmas.
Não houve um único sorriso. Nem mesmo hipócrita.
A realidade nua e crua, tinha assombrado aquela cabeça pobre de moralismos.
Tapou a alma com o lençol das lamentações. Da cama que já tinha presenciado, os momentos mais doces da sua vida. Cama essa, que ficou contaminada, com o seu próprio veneno de mulher inconstante.
Aquele quarto ficou trancado. Para não admitir ao mundo as suas fraquezas.
Estava reduzida a nada. O peso da culpa, esmagava-lhe os pensamentos felizes.
O lençol de cetim, tinha-se transformado num lençol de lágrimas vindas das feridas do coração. Este?, era incómodo demais.
Apesar dela saber, que nada voltaria a ser como antes, uma esperança apareceu na entrada da sua toca. De uma forma ténue e tímida.
Não era palpável. Nem mesmo concretizável. Mas no infinito da sua mente, tudo era possível.
Ofereceu-lhe o ombro. Com todo o respeito, que nem todo o homem, nutre por uma mulher.
Deixou-a chorar e deu-lhe toda a atenção necessária.
Ela sabia que nunca o amaria, da forma que já tinha amado o homem que lhe provocara tal sofrimento. Mas durante todas aquelas noites, em que o sono não a visitou, tentava sonhar com ele.
Muitas noites foram essas, de sonhos. Onde imaginava o dia que este lhe pedia que fugissem. Para um lugar, que em nada se parecesse com o que se encontrava. Que tão mal lhe fazia. Que estava impregnado, de boas e más recordações.
Recordações, que não permitiam, que aquela nuvem negra, desse espaço à luz.
Precisava de abrir as janelas. Deixar entrar alguns raios de sol. E jogar ao vento todas aquelas lembranças completamente destruidoras.
Ele deu-lhe a mão. E através desta, transmitiu-lhe a esperança que necessitava.
Abriu-lhe com a sua mão de amigo, umas frechas da persiana da clausura.
Falou-lhe em mundos distantes e aventuras cineastas. Fez-lhe sentir na pele a vontade de viver e não desistir.
Conseguiu voltar a sonhar.
A viagem… o toque… o beijo!
Sonhava com isso. Como se uma aproximação lhe quebrasse o negro da fantasia obscura.
Nunca aconteceu.
Nunca se insinuaram.
Seguiram separadamente com os olhos, um no outro.
Mas apesar deste fim, tão pouco emocionante… conseguiram seguir em frente, com outro reconforto. Que lhes fez!, e ainda lhes faz… toda a diferença.
Coelha*












