A Maresia das Sensações

Uma coisa era certa, não haveria de voltar àquele sítio, não queria problemas.
A imagem daquele homem, surgia-lhe na cabeça, e tentava encontrar algo que lhe transmitisse interesse, mas era impossível. Aquele ar de homem desleixado, aquela arrogância… E o facto de ele saber que agora costumava ir àquela praia a deixava desconfortável. Não poderia voltar a fazê-lo. Pelo menos tão cedo.

...

Naquela noite ia sair para se divertir com o seu grupo de amigas. Decidiram marcar uma saída só de mulheres. Mas Maria, tinha a perfeita noção que aquela condição não passava de pura solidariedade da parte delas.
Ela era a única que não tinha companheiro, e isso fazia com que muitas vezes recusasse convites, porque não se sentia muito bem ser a única do grupo que se encontrava sozinha.
Então as amigas, decidiram marcar alguma coisa que não metesse homens à mistura, para a Maria se sentir mais à vontade, visto que a vida dela não era propriamente divertida e feliz.

Arranjou-se o máximo que pôde para se sentir bonita. Como mulher que era, adorava se produzir simplesmente para se sentir bem. Maquiou-se, vestiu a roupa que achava que mais a favorecia, calçou uns sapatos de tacão alto e saiu na esperança de ter uma noite divertida com as suas mais que tudo.

Jantaram juntas, e riram-se bastante com as coisas boas e más da vida. Era esta capacidade de se rirem dos problemas que a mais encantava. Não traçava as suas amigas por nada no mundo.

- E se fossemos até àquele bar beber umas Caipirinhas? – Disse a Sofia entusiasmada.
- Ai sinceramente… Queria era ir para a cama! – Resmungou a Maria enquanto suspirava.
- És uma chata Maria. Vamos todas sair como combinado! – Ordenou a Raquel.
Até que a Maria se convenceu. – Ok. Vamos a isso então.

Na viagem as amigas iam falando de uns homens interessantes que conheciam nesse bar. A Maria entendia perfeitamente, que esses amigos estavam destinados para ela. Mas mesmo não achando muita piada à conversa, ia-se rindo com os comentários.
Quando entraram no bar, lá estavam os dois amigos sentados numa mesa, com a cabeça virada para a entrada como se ansiassem já a chegada.

- Ali estão eles, vês Maria? São aqueles! – Comentou a Raquel enquanto lhes acenava com a mão.
- Sim estou a ver, mas não vamos para aquela mesa pois não? – A Maria apesar de saber a resposta, fez a pergunta com a esperança de ouvir o que não esperava.
- Mas é claro que vamos! Diz lá se não são lindos! Então o Rodrigo, é o sonho de qualquer mulher! – A Raquel demonstrava estar entusiasmada.

Entretanto chegaram à mesa sem a Maria ter mais hipótese de dizer que não.

- Boa noite! Cá estamos como prometido. – Disse a Raquel com um sorriso rasgado.
- Boa noite meninas. Já que não nos apresentas eu sou o Rodrigo. Muito prazer. Tu deves ser a…
- Maria. – A Maria não estava com cara de grandes amizades.

Cumprimentaram-se todos, e não descoraram das apresentações. Depois de já estarem sentados o Rodrigo corta o silêncio – Pois é Raquel, a tua amiga é lindíssima como já me tinhas dito.
- Eu não te disse? Só tenho amigas bonitas!
- Obrigada pelo elogio, mas agradecia que não falassem como se eu não estivesse presente. – Respondeu a Maria com um quê de arrogância.
- Não lhe ligues Rodrigo. Ela queria ir para casa… - Interrompeu de imediato a Raquel.
- Porquê?
- Estou cansada, só isso… E além do mais, desculpem mas acho que vou indo. Estou mesmo a precisar de descansar. Voltamo-nos a ver um dia por aí, ok?
- Mas já vais? – Disse a Raquel com cara de chateada.
- Vou sim. Acompanhas-me até à porta?

A Maria despediu-se de todos e foi-se dirigindo à saída, enquanto puxava a Raquel por um braço.

- Raquel, eu quis vir sair com vocês! – Desta vez falou num tom mais alto.
- E não estamos todas juntas? Que infantilidade, o rapaz é simpático! – Respondeu de imediato.
- Mas não me devias ter perguntado se eu estava com vontade de conhecer um “rapaz simpático”?
- Não vale a pena chatearmo-nos. Amanhã eu ligo-te…
- Sim. Até amanhã.

A Maria estava chateada principalmente consigo mesma. Não tinha verdadeiramente qualquer vontade de conhecer alguém. Pelo menos naquele dia. Estava à espera de ter uma noite descontraída com as amigas, e não tinha gostado da ideia, de terem marcado uma saída com uns supostos partidos para si. Tudo isto com a finalidade de que um deles lhe curasse aquela tão grave doença – Estar solteiríssima.
Olhou para as horas e era demasiado cedo para ir para casa, e como estava uma noite abafada de verão decidiu ir até à praia mais uma vez. Nem que fosse por pouco tempo, mas naquele momento não se sentia com vontade de se meter em casa.
Quando chegou, decidiu ir para o mesmo lugar, mas quando se aproximou reparou que estava um homem deitado no muro de barriga para cima e com as mãos por debaixo da cabeça.
Não faltavam pessoas a passear naquela noite fantástica. Decidiu aproximar-se mais e quando chegou bem mais perto, reconheceu o homem que lá estava acampado. Era o mesmo que a tinha perturbado naquela tarde, exactamente naquele sítio.
Por momentos hesitou. Não sabia se deveria se aproximar ou simplesmente dirigir-se a outro sítio. Mas como por impulso decidiu chegar-se mais perto daquele desconhecido.
Quando já estava do seu lado, tossiu, para dar sinal de presença.

- Por aqui? – Disse ele sorrindo.
- Ia perguntar o mesmo. Acha que são horas para estar deitado nesse muro, que em nada se assemelha com um colchão? – Retorquiu com uma expressão de gozo.
- Ai acha que não? Diz isso porque nunca se deitou aqui… Senão já tinha entendido o quão confortável pode ser este muro.
- Não me diga? Quem olha assim de repente, não tem essa percepção. – Desta vez tapou a boca para esconder a vontade de se rir.
- Está animada hoje. Quem diria que de tarde foi tão insuportável!
- Acha mesmo? – Torceu o nariz.
- Acho. E já agora vem de um casamento? Não se deve ter produzido toda, para vir até à praia ver se me encontrava. – Soltou uma gargalhada.
- O seu sentido de humor fascina-me sabe? Foi por isso que cá vim… Santa paciência! – Tentou demonstrar um ar sério.
- Quer se sentar? A minha casa é a sua casa… Por favor… - A sua mão apontava para o muro.
- Acho que vou aceitar o convite – dirigiu-se apressada e sentou-se num abrir e fechar de olhos.
- Então diga-me lá o que a trouxe aqui… - Perguntou, olhando com um ar sério.
- Uma história curta, mas que não me apetece falar sobre ela. – Falou baixinho.
- Resumindo, a noite não correu bem?
- Exactamente isso! Já agora, quero que saiba que não costumo falar com estranhos e hoje depois de ter saído daqui, fui pelo caminho a acha-lo verdadeiramente ridículo. Mas agora depois de cá ter chegado e de o ter visto aqui, não resisti em falar-lhe. – Falou apressadamente como se quisesse dar uma explicação convincente.
- Agora conseguiu ver o quanto interessante eu sou… Eu entendo-a! Costuma acontecer sempre isso, com todas – Olhou em direcção ao mar e começou-se a rir. – Já agora posso-me apresentar?
- Não, não é preciso. Podemos falar sem nos conhecermos? Formalmente. Nome, idade, profissão… Preferia assim…
- Como queira desconhecida, que assim seja. Mas só mais uma pergunta. Deve ter quase a mesma idade que eu… Porque não deixamos de lado o “Você “ e não passamos a tratar-nos por Tu?
- Combinado. Estás contente? – Esboçou um sorriso.
- Assim está bem melhor.
- Não te importas de não falarmos mais?
- Queres que te deixe sozinha? – Disse ele com um ar de desilusão.
- Não, não! Fica comigo, mas não me apetece falar. É só isso…
- Sim, pode ser.


(continuação)

Histeria só minha

Coelha*

3 Não reclamas?:

PIPI disse...
24 de dezembro de 2009 às 01:59

oh coelhita já mandavas a história para o meu mail não??lol

ai k ganas d saber o resto....acho k só me resta aguardar né??bjos

Nevoeiro de Verão disse...
24 de dezembro de 2009 às 21:44

Tu estás lá =) Qualquer dia estás a lançar um livro... não falta muito não :)

Beijinhooooos grandeeees!

PS - Private Joke: Quando é que a Maria chega a Lisboa? xD

Só Avulso disse...
25 de dezembro de 2009 às 21:17

Muito bom realmente... a Maria é uma personagem que nos faz pensar em alguns momentos da nossa vida.

Estou ansiosa por saber a continuação da história... está a ser muito envolvente!

bjs***

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